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Número de conflitos cai, mas mortes no campo dobram em 2025
Números são da Comissão Pastoral da Terra
Radioagência Nacional - Por Gabriel Brum
Publicado em 27/04/2026 17:41
Notícias
© Tomaz Silva/Agência Brasil/Arquivo

O número de pessoas mortas em disputas no campo dobrou no ano passado, apesar da redução na quantidade de conflitos. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (27) pela Comissão Pastoral da Terra.

A 40ª edição do relatório "Conflitos no Campo 2025" mostra que, no ano passado, foram registrados 1.593 conflitos no total, número bem menor que os 2.200 casos do ano anterior. Maranhão, Pará e Bahia lideram as ocorrências.

As principais vítimas são indígenas, posseiros, quilombolas e comunidades sem terra. Já os agressores são fazendeiros, empresários e também governos.

Mesmo com menos conflitos, a violência ficou mais grave: 26 pessoas foram assassinadas, destacou Cecília Gomes, da coordenação nacional da Comissão Pastoral da Terra.

"Desses 26 assassinatos, dois foram massacres, com três vítimas em cada um dos massacres. E um dos massacres teve também a vida de uma mulher ceifada nesse processo. Nesse rol da violência no campo, esse é o número que nos choca, porque não é só número: são vidas, são comunidades, são organizações, são famílias".

A maior parte dos casos envolve conflitos pela terra: 1.186 referentes à violência pela ocupação e pela posse. Já as ações de retomada de áreas, como acampamentos, somaram 100 casos.

Um caso é da comunidade tradicional de seringueiros, que vive da reserva extrativista Jaci Paraná, em Rondônia. Lincoln Fernandes contou que foi expulso de lá por fazendeiros. Segundo ele, além das expulsões, há registros de assassinatos e trabalho escravo. E uma lei ainda pode dar o título da terra para os ocupantes.

"O maior interesse ali é político. Tão dizendo que são pequenos agricultores, mas se forem ver, são fazendas gigantescas, tem pista de avião lá dentro, tem 218 mil cabeças de gado, e várias mansões lá dentro. Então assim, tão tentando expulsar o resto dos moradores que têm lá — ainda estão lá morando 26 famílias. Eu fui expulso de lá, da minha colocação, me ameaçaram de morte".

O relatório também aponta 148 ocorrências ligadas à disputa por água, de acordo com o relatório. São situações como destruição e poluição dos mananciais, impedimento de acesso à água, pesca predatória, entre outros.

Os casos de trabalho análogo ao escravo no campo somaram 159 registros com 1.991 trabalhadores resgatados. Um destaque foi a construção de uma usina em Mato Grosso onde 586 pessoas foram resgatadas.
 

Fonte: Radioagência Nacional
Esta notícia foi publicada respeitando as políticas de reprodução da Radioagência Nacional.
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