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O primeiro e mais sagrado compromisso da nossa gestão é com a honra e a ética. Não há Justiça possível onde imperam o arbítrio, a conveniência ou o interesse particular. A magistratura não é um poder exercido para si. É, antes de tudo, um serviço prestado ao outro, ao cidadão, à sociedade. Toda autoridade pública que perde de vista essa verdade se afasta da essência da função que lhe foi confiada. Por isso, assumo a Presidência do Tribunal com a convicção de que a legitimidade institucional não se sustenta apenas na força da lei, mas também na integridade de condutas, na retidão de propósitos e no compromisso permanente com o interesse público.

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A probidade administrativa não é virtude facultativa. É dever constitucional, exigência inerente à dignidade da função pública, alicerce sem o qual toda a estrutura jurisdicional perde consistência e confiança. A administração pública obedece ao princípio da moralidade, e a moralidade administrativa não se resume à legalidade estrita. Ela exige fidelidade ao espírito ético que anima o Direito e orienta a vida republicana. Exige transparência, prudência, responsabilidade, respeito ao bem comum e lealdade absoluta às finalidades institucionais. Em tempos de intensa vigilância social, é nosso dever compreender que a confiança pública se conquista lentamente, mas pode se perder com rapidez. Preservá-la é obrigação de todos nós.

O dever moral não tolera exceções fundadas na conveniência. Agir honestamente não porque seja útil, não porque gere aplausos, não porque produza dividendos políticos ou institucionais, mas porque esse é o imperativo da razão prática, da consciência que impõe a si mesma a lei que gostaria de ver universal. É nesse horizonte que compreendo a função pública e é nesse horizonte que pretendo exercer a Presidência do Tribunal. O exercício da autoridade não pode jamais ser confundido com vaidade, privilégio ou imposição. Autoridade, no Estado Democrático de Direito, é antes de tudo responsabilidade.

Ao longo da minha trajetória, estive sempre disposto a duas atitudes fundamentais. A primeira é fazer apenas aquilo que a razão, essa capacidade soberana e legislativa do espírito, indicasse como o melhor para o bem comum. A segunda é mudar de direção quando confrontado com fatos concretos, verdadeiros e suficientemente fortes para modificar meu entendimento. Nunca, porém, aceitei que uma mudança de posição pudesse ser fruto de conveniências passageiras, de pressões indevidas ou de impulsos alheios ao interesse da Justiça e do bem público. Ter firmeza não é ser inflexível. Ter abertura ao diálogo não é renunciar a princípios. A boa condução institucional exige exatamente esse equilíbrio entre escuta e convicção.

Com base nos valores que proclamo e nos princípios que orientaram minha vida pública, defino alguns eixos centrais desta missão. O primeiro deles é a celeridade com qualidade. O jurisdicionado não pode aguardar em demasia por uma resposta do Estado-juiz. A demora excessiva corrói direitos, alimenta descrenças e aprofunda desigualdades. Uma Justiça que tarda em excesso, ainda que tecnicamente correta, muitas vezes deixa de ser plenamente justa.

Implementaremos políticas de gestão processual capazes de reduzir o tempo de tramitação, aperfeiçoar fluxos, racionalizar procedimentos e ampliar a eficiência, sem sacrificar a profundidade, a segurança jurídica e a qualidade das decisões. Celeridade não pode significar superficialidade. O nosso desafio é entregar respostas mais rápidas, sem abrir mão da excelência.

O segundo eixo é o acesso à Justiça. A Justiça que não chega ao pobre, ao vulnerável, ao habitante do interior do nosso vasto Estado, não merece esse nome. O Maranhão tem dimensão territorial, diversidade social e complexidades históricas que exigem do Judiciário sensibilidade e capilaridade. Não basta que a instituição exista formalmente. É preciso que ela esteja presente, acessível, acolhedora e efetiva. Fortaleceremos as estruturas de interiorização da Justiça, os núcleos de conciliação e mediação, os canais de atendimento e os programas voltados às populações em maior vulnerabilidade social. Precisamos de um Judiciário que enxergue as distâncias geográficas, mas também as distâncias sociais, econômicas e informacionais que muitas vezes afastam o cidadão dos seus direitos.

Outro compromisso essencial é com a transparência e a modernização. A era digital é uma aliada poderosa da Justiça. A tecnologia, quando bem utilizada, é instrumento de aproximação com a sociedade, de ganho de eficiência, de racionalização de recursos e de fortalecimento do controle social legítimo sobre os atos da instituição. Investiremos em soluções tecnológicas que aprimorem a gestão, qualifiquem o atendimento, ampliem a publicidade dos atos administrativos e reforcem a confiança da sociedade no funcionamento do Judiciário. Modernizar não é apenas informatizar procedimentos. É repensar práticas, simplificar caminhos, tornar o serviço público mais inteligível, mais acessível e mais eficaz.

Também manteremos firme o compromisso com a sustentabilidade. Continuaremos implementando, fomentando e desenvolvendo processos e procedimentos com esse fim, em razão de sua extrema e inquestionável importância para o Poder Público, para o meio ambiente e para as futuras gerações. A responsabilidade institucional contemporânea não se limita à entrega da prestação jurisdicional. Ela também envolve consciência ambiental, racionalidade no uso de recursos, cultura organizacional orientada para a permanência e visão de futuro. Cuidar da sustentabilidade é reconhecer que toda instituição pública deve agir com responsabilidade diante do presente, mas também com respeito ao amanhã.

Sabemos, ainda, que um Tribunal é, por essência, um corpo colegiado. Sua força não repousa na capacidade isolada de um ou outro de seus membros, mas na inteligência coletiva que emerge do diálogo respeitoso, do debate honesto, da divergência que enriquece sem dividir. Nenhuma Presidência se constrói de forma solitária. O êxito de uma gestão depende da colaboração entre magistrados, servidores, assessores e todos aqueles que, com dedicação diária, sustentam a grandeza desta Casa.

Governar um Tribunal é saber ouvir, compor, coordenar, decidir com prudência e cultivar um ambiente institucional em que a divergência legítima conviva com a unidade de propósitos.

Recebo, por fim, um Tribunal que alcançou índices entre os mais produtivos e representativos de sua história recente, reconhecido nacionalmente e merecedor do Selo Diamante do Conselho Nacional de Justiça, resultado do esforço, da competência e do comprometimento de magistrados e servidores. Esse patrimônio institucional nos honra, mas também nos responsabiliza. Não começamos do zero. Começamos de uma base sólida, construída com trabalho sério e dedicação coletiva. Cabe-nos preservar, aperfeiçoar e ampliar esse legado.

É com esse espírito que assumo esta missão. Sem orgulho, sem presunção, sem vaidade, mas com firmeza, serenidade e profundo senso de dever. Estou pronto para servir ao Tribunal, à Justiça e ao Maranhão.